quarta-feira, 21 de março de 2012

- A Primeira História de Amor.

E ai surgiu a primeira grande surpresa. Quando eu decidi reunir "impressões coletivas sobre o amor" surgiu aquela dúvida: Será que as pessoas vão ter coragem de se expor? De mostrar como realmente o veem? como o sentem? Em um mundo em que cada vez as pessoas se distanciam e ficam presas em suas próprias rotinas o "Sobre o Amor" as despertaria? As libertaria?

Imaginem então a minha surpresa/felicidade quando ao abrir ontem o email (sobreoamorrr@gmail.com) e descobrir um único email lá, solitário e misterioso e ao abri-lo me deparar com o "desabafo" de alguém que decidiu - e confiou - se abrir comigo e com o projeto? Fico imensamente feliz de saber que alguém se sensibilizou tão fundo e decidiu parar, sentar e escrever sobre a sua experiência com o amor! Abaixo o e-mail - na integra - que recebi, respeitando o pedido de ser "sem assinatura" :)


"Desde muito cedo, talvez por viver em um “mundo” só de mulher, onde eu tinha uma mãe mais racional do que emocional, eu era muito descrente no amor, não o amor em sua totalidade, até porque eu sou extremamente carinhosa e amorosa, mas no amor na forma de “homem e mulher”.
E isso particularmente me fez muito bem no inicio da minha adolescência, não tive crise de choro pelo meu primeiro amor, aquele garotinho da sala que prefere a mais “gostosa” da turma, do que a CDF, com cara de Nerd, desengonçada, e ainda por cima, magrela; cena muito freqüente entre as minhas amigas da época.
Mas olhando tudo com um outro olhar, outra maturidade... preferiria ter passado isso, ter sofrido de amor na minha adolescência, quem sabe assim depois de ter pegado essa experiência na adolescência, hoje, seria diferente...
E porque eu falo isso? Porque, hoje, aos 23 anos, passo, talvez, pelo que eu posso chamar de primeiro amor... é sei que deve estar espantada pelo tardio da experiência... e justamente pela falta dela, tenho tido muita dor de cabeça (bom se fosse só na cabeça mesmo, porque uma Neosaldina resolvia) mas confesso também que ganho momentos hilários.
Mas na verdade, essa história, começou há cinco anos, no meu primeiro dia de aula na faculdade... até isso é diferente, enquanto todo mundo se apaixona no colegial, eu me apaixono na faculdade. Meu primeiro dia de aula, a turma já adianta, quase que, um mês. Eu com os meus recém completados, 18 anos, aprendendo a voar, , cidade nova , em um mundo novo,  o da universidade, curtindo tudo... realmente esse ano foi de grande descobertas, e perdida nos meus pensamentos na aula, só ao fundo a voz da professora, meus pensamentos ali  nem compareciam, até que... de uma forma mágica, logo eu que nem acreditava no amor à primeira vista, me vi sendo invadida por um brilho nos olhos, um fascínio em um determinado momento, alguém que eu jamais tinha visto, um tom de voz jamais ouvido, simplesmente me pareceu, naquela hora, algo que eu já esperava por muito tempo, ou melhor, algo que eu necessitava a muito tempo... foi tão rápido, mas eu decorei cada gesto, cada palavra... até o cheiro dele, eu decorei. Foi assim mesmo, rápido, intenso... e irracional.
E como eu já havia falado, por ser a primeira vez “nessa situação” eu me perdi no começo do caminho. Usei de mentiras pra poder me aproximar dele, menti... e sustentei uma mentira por mais de três anos, dizendo que estava em dúvida em uma matéria do curso e como ele já estava no ultimo ano, poderia me ajudar, por indicação da dita professora que ele interrompera a aula, eu fiz ele acreditar fielmente nessa mentira, e ele, preocupado, se dedicou ao máximo para suprir todas as minhas dificuldades da matéria... ficava pensando o que ele faria se soubesse que eu já era exemplo de aluna na matéria, e que tinha passado com louvor de semestre, e que todo aquele meu discurso de não entender nada era apenas teatro de uma novata apaixonada?
Hoje, contando, parece roteiro de filme... e a coisa foi muito mais funda do que essa mentira... fiz ele se encantar com o meu mundo e meus amigos, e pra agradecer ele me permitiu entrar na vida dele, como amiga, por que era isso, somente dessa forma que ele me via, porque foi justamente assim, que eu me aproximei. E nessa troca de carinhos de amizade, fui contando confidências, segredos que, nem a minha melhor amiga, sabe, fui contato e me permitindo ser conhecida, porém, a única verdade... a única confidência que merecia ser dita, eu não contava, por medo... somente isso, por medo... medo de perder o pouco que eu já tinha dele, eu já me contentava com pouco, por ter sido tão delicado chegar até ali, eu estava naquele momento, satisfeita. E foi assim por meses e meses... cheguei ao ponto de achar que já éramos amigos, e que todo aquele desejo, amor, paixão... ou como você quiser chamar, já tinha passado... na verdade, eu tentei ao máximo acreditar nisso, que era amizade apenas o que eu queria dele, e que todo aquele processo de amor a primeira vista já tinha passado.
Ele sempre fez parte dos meus desbravar na minha área profissional, foi sempre ele que me deu coragem pra sonhar, acreditar e realizar... e talvez seja por isso, alias, talvez não, é por isso que ele é tão importante assim pra mim... o jeito que ele me vê é diferente do jeito que qualquer outra pessoa me vê, sem medo de ser injusta, ele simplesmente me ver: Capaz!
Depois de três anos de amizade, e tendo ele diariamente na vida, presencialmente, és que ganho mais uma missão nessa história: aprender a viver (e amar) longe... Manaus era o novo destino dele... e eu tinha que ficar aqui... e foi justamente nesse momento, que eu criei coragem, e ele pode me ver sem armadura alguma, com todas as minhas fragilidades e medo que esse amor me ensinou... em um “súbito” momento de coragem, contei toda a verdade... a aproximação e a minha segunda intenção, desmenti todas as falsas dificuldades, e disse que pela primeira vez, me vi amando... de uma forma tão forte, tão nova, tão única... que eu só, não sabia o que fazer, e por isso menti, com medo de parecer fraca... depois de ânimos alterados, e eu entendi plenamente a chateação dele, disse que queria que ele se afastasse de mim, pois assim eu o esqueceria... mas uma tolice para o meu caderninho de mancadas por amor. Lembro que ficamos apenas um dia sem nos falar. No outro dia, dia da partida dele, ele me convence a ir no aeroporto, pra nos despedirmos, do jeito do certo, afinal... eram três anos de amizade.
E foi ali, que pela primeira vez eu disse “eu te amo” a alguém olhando nos olhos.. assim tão limpa de armaduras e medos, foi o maior crescimento pra mim... e foi um vitória maior, porque tinha várias pessoas por perto, e eu perdi toda a minha vergonha, de chorar assim, tão publicamente... de ser simplesmente MULHER nessa hora.
Hoje, cinco anos após esse descobrimento do que é o amor, e 2 anos longe dele... temos uma relação muito saudável, e não, eu não tenho nada com ele... mas prometi esperá-lo e somos muito sinceros um com outro, nada de mentiras daqui em diante, temos a melhor amizade, o melhor carinho... e a certeza de que se for pra ser... será! E que seremos felizes, se ficarmos juntos.
Mas uma coisa eu posso afirmar, se não ficarmos juntos... foi ele, a primeira forma que eu a aprendi amar e que de uma forma diferente ele me faz pensar em alguém como eu nunca pensei... e  é engraçado vindo de mim.. com esse coração vagabundo que eu tenho, e meio fechado... mas de certa forma, eu não vejo alguém que mereça tanto esse amor quanto ele, e é por isso que eu preservo... que eu guardo ele, pra lembrar de como foi bom um dia sentir isso.
E a minha ultima frase a ele foi: "eu te amo e com certeza, você tem a melhor parte desse coração e com certeza é ela que eu quero guardar pra sempre e dizer que eu já amei alguém que mereceu ser amado”.
Confesso que choro de saudade dele... das mãos, do sorriso... do jeito que só ele ajeita o óculos... do cheiro, mas eu vou seguindo a minha vida aqui em Belém e ele longe de mim... mas por nenhum segundo esse amou pensou em deixar de existir pela distância. Ele segue acreditando, que no final, mesmo com caminhos diferentes, a gente vai se encontrar".

- Manda pra gente a sua história/texto/poesia também :)

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